O mago Mario e a futura chef do Tatini, Cecília…

silvio-lancelotti-2Finalzinho de 1972. Fazia um frio terrível em Palo Alto, uma hora ao sul de San Francisco, Califórnia, o Inverno mais inclemente em quase cem anos. Impossível sair do apartamento que eu, bolsista na Universidade de Stanford, dividia com um amigo também jornalista, Alex Gambirasio

Subitameente, o interfone toca. Orel Richards, o responsável pelo condomínio, me informa que uma senhorita, possivelmente brasileira, com certeza aeromoça, tinha um pacote a me entregar. Apesar da surpresa, autorizei que a rapariga entrasse no prédio e subisse ao meu pavimento.

De fato, uma aeromoça. Da Varig. Com um embrulho de isopor. Uma lembrança, ela me disse de Mario Tatini, do restaurante Don Fabrizio.

Tratava-se, acredite se quiser, de um Diana Steak, o meu prato predileto desde os meados da década de 50. Congelado, é claro.

Coloquei o filé no num forninho e o regenerei.

Fraternal, dividi a glória com o Alex.

O próprio responsável pelo presente relata o fato, sensacional, no seu livro “A Receita de Mário Tatini”. Lembra que, numa das minhas cartas a meu pai, seu amigo, Don Edoardo, eu havia manifestado enormes saudades da iguaria. Pois o Mario deu um jeito de obter de um outro amigo, Ivan Siqueira, ligadíssimo à Varig, um jeito de contrabandear o tal Diana.

A Família Tatini passou à frente o Don Fabrizio. Mas, na Rua Batataes 558, Jardim Paulista, mantém um restaurante que leva o seu sobrenome e que eu considero o melhor do País. Cardápio esfuziante, delícias perpetradas em réchauds, à frente do cliente, carta de vinhos irretocável, ambientação acolhedora, atendimento fenomenal.

Hoje, no comando, reluz Fabrizio, bambino do Mário e neto do fundador do restaurante, ainda em Santos, nos idos de 1954.

Isso mesmo, sessenta anos de riqueza gastronômica neste 2014.

E com uma nova geração em andamento.

Cecília, pimpolha de Júlia, a herdeira de Fabrizio, casada com Rafael, um belo garotão que, aliás, promissoramente já co-pilota os fogões do restaurante da estirpe. Eu espero permanecer vivo por bastante tempo, para aplaudir, no futuro, o talento da menina. Genes admiráveis ela possui.

Fonte: G7