Em 1954, os Tatini, de Firenze (casal Fabrizio e Maria, cinco fi­lhos moços), abriam em Santos o restaurante Don Fabrizio. O Don entendia do ramo: estudara ho­telaria na França e Inglaterra, di­rigira hotéis e restaurantes na Itá­lia, o pai (Casemiro) fizera suces­so em Firenze, no começo do sé­culo, com o restaurante L’Antico Fattore.

A casa de Santos estourou: ex­celente padrão. Os Tatini foram novidadeiros: ensinaram o brasileiro a valorizar o linguado (peixe até então desprezado), a usar cogume­los frescos, vongole, creme de leite, introduziram pratos diferentes (Stroganov, Stcak Diana, Steak Siberiana, Camarões ao Curry, sorve­tes flambados), lançaram a moda do réchaud no salão para execução de receitas à vista do freguês. Mui­to paulistano descia a serra só para comer no Don Fabrizio. Só louros colhidos até 1978, quando o pré­dio foi condenado à demolição.

A essa altura, já vivia lotado ou­tro Don Fabrizio em São Paulo (no Paraíso), inaugurado em 1958. À frente o filho mais velho, então com 30 anos, o belo Mário, sósia perfeito de Paul Newmann, anfi­trião elegante, recepção de rosa na mão. Na época, o Paraíso era ruim? O Don Fabrizio era um céu.

Perdemos em 83 o signor Fabri­zio, que, cansado, já vendera o res­taurante (1982) para uns capricho­sos portugueses. Mário, promovido a capo, mantém unido o clã e reabre a casa, agora batizada de Tatini.

Endereço: Rua Batatais,84

Hoje, em atividade diária, triun­fante, apenas o Tatini da Batatais. Simpatia acentuada pela idade (72 anos), perfeccionismo apurado pela experiência, o amável Mário na dire­ção geral e recepção estilosa. Com ele, futuroso, o filho Fabrizio. As filhas (Andrea, Paola, Thaís) brilham des­de 1993 em Campo Belo, com a fina rosticceria Nastro Azzurro.