Simpático e bem-humorado, o competente Adauto de Oliveira está há duas décadas no Tatini, em São Paulo

“Qual é a sua opinião para hoje?” O garçom Adauto de Oliveira, há 20 anos no Tatini – um dos melhores restaurantes italianos da cidade de São Paulo – , já se acostumou com esta pergunta. Mesmo quando ela vem de clientes famosos, como os atores Antônio Fagundes e Juca de Oliveira. “Eles confiam em mim”, alegra-se o cearense de Acopiara, a 355 quilômetros de Fortaleza. Adauto tem prática, carisma e desenvoltura no que faz. Tanto que, com frequência, alguém o trato como se fosse o mâitre da casa. “A confusão me deixa envaidecido”, admite. “Mas o cargo de mâitre é acumulado pelo senhor Mario Tatini, o dono do restaurante. “Bem-humorado, Adauto emenda: “Devo ser um garçom com mais conteúdo”.

O ofício de garçom, na realidade, surgiu na sua vida por acaso. Recém chegado a São Paulo, Adauto foi convidado por um amigo a acompanhá-lo em uma entrevista de emprego. Sim, no restaurante Tatini. “Como não tinha nada para fazer naquele dia, topei”, conta. O empregador pensou que Adauto também fosse candidato à vaga. “Houve uma longa sabatina e, depois dela, acabei contratado e o meu amigo, não.” Claro que o episódio rendeu algum constrangimento. Enfim, águas passadas.

Antes de tornar-se garçom, Adauto deu duro longe dos olhos dos clientes. “Comecei lavando pratos”, conta, sem problemas. Apenas três anos mais tarde passou a servir mesas. Da temporada longe do salão, guardou conhecimentos que o auxiliam em muito no dia a dia. Um deles impressionou, há pouco, uma mesa de 20 japoneses. Eles o aplaudiram com entusiasmo ao notar sua destreza em descascar uma manga. Adauto abre um sorriso e comenta: “Você pode transformar um simples descascar de uma manga em um atrativo.”

Embora seja extrovertido, o carismático garçom acredita que não só o bom atendimento como também a boa conversa aprendeu de Mario Tatini. “Ele montou um grande restaurante. Para quem não sabe, a casa tem mais de 60 anos.” ISABELLA HOTTE