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	<title>Tatini Restaurante</title>
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	<description>O sabor tradicional dos mais deliciosos pratos da gastronomia italiana. No Brasil desde 1954</description>
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		<title>Toda a vida em cena</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 21:20:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wptatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatini na imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Adriana Abujamra &#124; Para o Valor, de São Paulo Antônio Fagundes chega ao Tatini&#8217;s, nos Jardins, 15 minutos antes do combinado. Era de se imaginar. O ator é conhecido não só pelo ofício que exerce há quase meio século, mas também pela pontualidade. Atrasar-se, para qualquer compromisso, é algo inadmissível para ele, que cita uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-701-mesa-d18.jpg"><img class="size-medium wp-image-1435 alignright" title="antonio_fagundes" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-701-mesa-d18-273x300.jpg" alt="" width="273" height="300" /></a></p>
<h6>Por <strong>Adriana Abujamra | Para o <a href="http://www.valor.com.br/cultura/2654246/toda-vida-em-cena" target="_blank">Valor</a>, de São Paulo</strong></h6>
<p><strong></strong>Antônio Fagundes chega ao Tatini&#8217;s, nos Jardins, 15 minutos antes do combinado. Era de se imaginar. O ator é conhecido não só pelo ofício que exerce há quase meio século, mas também pela pontualidade. Atrasar-se, para qualquer compromisso, é algo inadmissível para ele, que cita uma frase de Roland Barthes para explicar o motivo. &#8220;Fazer o outro esperar é uma prerrogativa de poder, poder que eu não tenho.&#8221; E ai daquele que se atrasar, um minuto que seja, para assistir às suas peças. &#8220;Simplesmente, não entra.&#8221;</p>
<p>Antigamente, a peça só começava depois que o rei estivesse acomodado. Portanto, quem hoje chega após o horário estipulado está, na verdade, comportando-se com supostos direitos majestáticos.</p>
<p>O ator tem o cabelo branco cortado bem rente e um anel de prata grosso no dedo anular da mão direita. Nada de aliança, está solteiro. Aos 63 anos, ele, que já interpretou muito galã na televisão, atrai a atenção de um grupo de mulheres que o esquadrinham, para cochichar em seguida.</p>
<p>Nossa mesa é ao lado de uma janela que vai do chão ao teto e que nos brinda com o verde das árvores de fora. Assim que senta, Fagundes avisa, olhando o relógio: &#8220;Tenho uma hora para esta entrevista e um monte de coisas para fazer&#8221;. Sua voz é tão resoluta que não adivinho que nossa conversa vai durar mais do que o dobro do prometido e só terá fim quando o restaurante, agora apinhado de gente, já estiver completamente vazio.</p>
<p>&#8220;Vamos falando?&#8221;, diz já com as mãos no ar chamando o garçom. Fagundes, apreciador de vinhos, dispensa a carta da bebida e pede uma limonada suíça. &#8220;Não se bebe antes do trabalho.&#8221; Há a ala de atores que pensa diferente e garante que uma boa dose de conhaque com mel antes de entrar em cena faz bem para a voz. Pura balela. &#8220;É um perigo. Atuar exige concentração absoluta.&#8221; Logo mais, na noite desta sexta-feira, ele estará no palco com a peça &#8220;Vermelho&#8221;, em que vive o artista plástico Mark Rothko &#8211; ícone do expressionismo abstrato &#8211; e divide, pela primeira vez, a cena com o filho Bruno, que interpeta Ken, assistente do pintor. O diretor do espetáculo é Jorke Takla e o dramaturgo é John Logan &#8211; badalado em Hollywood, onde assinou os roteiros dos filmes &#8220;A Invenção de Hugo Cabret&#8221; e &#8220;O Aviador&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><cite dir="ltr">Patrocínio é uma falácia. Não vem para quem pede, mas para quem os gerentes de marketing querem dar. Atualmente, parece que para os musicais</cite></strong></p></blockquote>
<p>A peça se concentra na fase em que Rothko está mergulhado em um projeto polêmico, mas rentável: produzir, a peso de ouro, uma série de quadros para a decoração de um refinado restaurante na Nova York de 1958.</p>
<p>Fagundes ainda sente frio na barriga nas noites de estreia. &#8220;O dia em que não der, paro de trabalhar.&#8221; Revela que veste cueca vermelha. É uma antiga superstição, que, acredita, lhe garante sorte no palco. O garçom surge oferecendo sucos.</p>
<p>Para compor o personagem, Fagundes diz que levou 46 anos, o tempo que tem de profissão. &#8220;Não existe um processo único, é sempre resultado do trabalho de uma vida, de uma experiência e busca constante.&#8221;</p>
<p>Como as pombas de Pablo Picasso. Certa feita, um comprador indignou-se com o valor que o artista cobrara por uma tela feita em poucos minutos com apenas um traço e aparente facilidade. Picasso, conta Fagundes, teria levado o sujeito a uma sala com uma série de gravuras de pombas feitas por ele.</p>
<p>O homem estava pagando uma fortuna por aquela gravura porque Picasso vinha pintando outras dezenas de pombas desde que aprendeu a segurar os pincéis. &#8220;Essa ideia funciona para todas as artes. Qualquer atitude que você toma é resultado da sua história.&#8221;</p>
<p>&#8220;Vamos pedir?&#8221; No lugar do cardápio, aparece Fabrizio Tatini, velho conhecido de Fagundes, para elencar as opções do dia. O ator vai de bacalhau em lascas e pastéis de entrada. Escolhemos o mesmo para não perder tempo e fazer render os minutos da hora prometida.</p>
<p>&#8220;Ah, esqueci de falar&#8221;, diz Tatini numa meia-volta: &#8220;Optando por esse menu, a sobremesa é obrigatória.&#8221;</p>
<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-713-galeria-d18_31_0_686_449.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1453" title="foto11cul-713-galeria-d18_31_0_686_449" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-713-galeria-d18_31_0_686_449.jpg" alt="" width="560" height="367" /></a></p>
<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-715-galeria-d18_0_9_755_494.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1455" title="foto11cul-715-galeria-d18_0_9_755_494" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-715-galeria-d18_0_9_755_494.jpg" alt="" width="560" height="367" /></a><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-714-galeria-d18_63_0_631_412.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1454" title="foto11cul-714-galeria-d18_63_0_631_412" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-714-galeria-d18_63_0_631_412.jpg" alt="" width="560" height="367" /></a><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-712-galeria-d18_0_204_755_494.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1452" title="foto11cul-712-galeria-d18_0_204_755_494" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-712-galeria-d18_0_204_755_494.jpg" alt="" width="560" height="367" /></a><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-711-galeria-d18_0_88_755_494.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1451" title="foto11cul-711-galeria-d18_0_88_755_494" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-711-galeria-d18_0_88_755_494.jpg" alt="" width="560" height="367" /></a></p>
<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/com-stenio-garcia-fagundes-estrelou-a-serie-%E2%80%9Ccarga-pesada%E2%80%9D/">Leia Mais</a></p>
<h6>Fonte: <a href="http://www.valor.com.br/cultura/2654246/toda-vida-em-cena" target="_blank">Valor Econômico</a></h6>
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		<title>Com Stênio Garcia, Fagundes estrelou a série “Carga Pesada”</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 20:20:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wptatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatini na imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Fazer o quê? Temos que engordar&#8221;, Fagundes comenta, rindo. Assim que Tatini se afasta, o ator retoma a conversa. A primeira aproximação com seus personagens costuma ser &#8220;completamente intelectual&#8221;. Ele estuda o texto, a linguagem do autor e lê à exaustão sobre o assunto. Para a montagem de &#8220;Vermelho&#8221;, Fagundes alimentou-se de textos sobre arte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2></h2>
<p>&#8220;Fazer o quê? Temos que engordar&#8221;, Fagundes comenta, rindo. Assim que Tatini se afasta, o ator retoma a conversa. A primeira aproximação com seus personagens costuma ser &#8220;completamente intelectual&#8221;. Ele estuda o texto, a linguagem do autor e lê à exaustão sobre o assunto.</p>
<div class="node-body">Para a montagem de &#8220;Vermelho&#8221;, Fagundes alimentou-se de textos sobre arte e visitas a museus em diferentes países. Essa bagagem serviu para dar a noção de verdade em cena, &#8220;pois a gente realmente sabe sobre o que está falando&#8221;. Teve ainda aulas de pintura para viver Rothko.</div>
<p class="node-body">&#8220;Mais para aprender uma técnica do que como processo de criação. Tenho que pegar o pincel em cena. Se fosse um mágico, iria aprender seus truques. A peça não é baseada no ato de pintar. Fala de crescimento, conflitos de gerações e relação entre mestre e discípulo, em que o ato de pintar poderia ser substituído por qualquer outra coisa.&#8221;</p>
<p class="node-body">Chegam os pastéis. Fagundes os encara, até descobrir qual é o de carne. Assim que dá a primeira mordida, avisa: &#8220;É bom, bem apimentado&#8221;, diz, agora recostando-se na cadeira e prestando mais atenção aos prazeres da mesa do que aos ponteiros do relógio.</p>
<p class="node-body">Fagundes sugere que os espectadores cheguem com meia hora de antecedência, para apreciar uma pequena exposição montada no saguão do teatro. Há informações sobre movimentos da arte em voga na época &#8211; como cubismo, expressionismo abstrato e pop art &#8211; e sobre Rothko, Matisse, Rembrandt e outros artistas citados na peça.</p>
<blockquote>
<div class="node-body"><strong><cite dir="ltr">Teatro tem a grande magia de ser ali, ao vivo. A energia, a forma de comunicação, a densidade do texto, é outra coisa</cite></strong></div>
</blockquote>
<div class="node-body"><strong><cite dir="ltr"></cite></strong>A finalidade da exposição é fazer com que o público possa apreciar a peça sem o mal-estar de não entender o que está sendo dito. No fim do espetáculo, os atores voltam à cena, já sem o figurino, para um bate-papo com a plateia, que lança questões as mais variadas. Querem saber o que é cenário, e até se o texto é improvisado a cada dia.</div>
<p class="node-body">Fagundes costuma bancar seus trabalhos sem a ajuda de patrocínios. Para colocar &#8220;Vermelho&#8221; em pé, investiu por volta de R$ 1 milhão. &#8220;Empresto e depois corro atrás para pagar. É por isso que a gente depende tanto do público.&#8221;</p>
<p class="node-body">Ele já bateu na porta de muita empresa para pedir dinheiro. Cansou. &#8220;Patrocínio é uma falácia. Não vem para quem pede, mas para quem os gerentes de marketing querem dar.&#8221; E para quem eles querem dar? &#8220;Atualmente, parece que para os musicais.&#8221;</p>
<p class="node-body">Teatro já lhe rendeu bastante dinheiro, como quando esteve à frente da Companhia Estável de Repertório, nos anos 1980. Digo que assisti a &#8220;Cyrano de Bergerac&#8221;, um dos espetáculos da sua antiga companhia, e que me recordo de uma das músicas da peça. &#8220;Tão linda é Paris sob esse céu enluarado&#8230;&#8221;</p>
<p class="node-body">O ator diz, sorrindo. &#8220;Você viu? Era bonito, não?&#8221; E cantarola a segunda estrofe da canção composta especialmente para aquela montagem: &#8220;Cyrano abre todo o coração e então&#8230;&#8221; Então? Então Cyrano é engolido por cumprimentos de uma mesa próxima.</p>
<p class="node-body">O espetáculo contava com 36 atores, ficou um ano em cartaz e cobriu os gastos nos primeiros quatro meses. &#8220;Hoje em dia, não se ganha mais em teatro como nessa época. Os custos subiram e a divulgação ficou absurdamente cara&#8221;- ele lamenta, para em seguida abocanhar o último pedaço do pastel.</p>
<p class="node-body">Sua carreira começou aos 17 anos, quando entrou para o Teatro de Arena, grupo dos anos 1950 e 1960, famoso pelo engajamento social. &#8220;Era uma turma extraordinária&#8221;, diz, lembrando dos mestres Gianfrancesco Guarnieri, Miriam Muniz, Augusto Boal, Paulo José.</p>
<p class="node-body">Aos 20 anos, teve a chance de contracenar com Fernanda Montenegro. &#8220;Ver o ator em ação, ensaiando, em cena, estudando seu texto, ensina mais do que ver esse mesmo ator dando uma aula expositiva sobre seu processo de trabalho.&#8221;</p>
<p class="node-body">Em 1969, Fagundes estreou em novelas na extinta TV Tupi, onde seu grande sucesso foi &#8220;O Machão&#8221;. O começo na Globo ocorreu aos 27 anos, na novela &#8220;Saramandaia&#8221;. Hoje, ele é um dos atores mais antigos e bem pagos da casa. Além da temporada com a peça &#8220;Vermelho&#8221;, em São Paulo (de quinta a domingo, no teatro Geo), Fagundes grava no Rio de Janeiro o remake de &#8220;Gabriela&#8221;, na pele do coronel Ramiro Bastos. Em agosto começa a filmar &#8220;Trabalhar Cansa&#8221;, com o diretor Marco Dutra.</p>
<div class="ml-image mdl mblue mdl-img right ml-image-preset-media_library_small_horizontal  media-library-image">
<div id="attachment_1437" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-702-mesa-d18.jpg"><img class="size-medium wp-image-1437" title="antonio_fagundes_1" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/foto11cul-702-mesa-d18-300x212.jpg" alt="" width="300" height="212" /></a><p class="wp-caption-text">Para compor o personagem em &quot;Vermelho&quot;, Fagundes diz que levou 46 anos, seu tempo de profissão</p></div>
</div>
<p>O ator merece uma pausa para provar o bacalhau que acaba de chegar. &#8220;Hum, hum, está muito saboroso.&#8221; Pede mais uma rodada de pastéis e diz que é uma pena que muita gente só conheça seu trabalho através da televisão.</p>
<p>&#8220;Seria maravilhoso se todos fossem estimulados a ir ao teatro. Teatro tem a grande magia de ser ali, ao vivo.&#8221; Empolga-se, larga os talheres sobre o prato e, com as mãos libertas e no ar, enfatiza o que diz: &#8220;A energia, a forma de comunicação, a densidade do texto, é outra coisa&#8221;.</p>
<p>Ser espectador de uma peça de teatro é bem diferente de assistir à televisão esparramado no sofá. Básico? Não. Tem gente que atende celular no meio do espetáculo, levanta-se para esticar a coluna ou mesmo tira os sapatos, põe os pés sobre o palco &#8220;e ainda por cima mexe os dedinhos&#8221;.</p>
<p>Fagundes já sofreu um bocado com a falta de decoro da plateia. Inspirou-se nessa e em outras histórias para escrever a comédia &#8220;7 Minutos&#8221;. &#8220;Xinguei todos eles. Digamos que exorcizei&#8221;, conta, rindo.</p>
<p>O título da peça é uma referência ao padrão ágil da televisão, que prende a atenção por, no máximo, sete minutos, tempo aproximado de cada bloco de telenovela antes do comercial. A peça, disponível em DVD, começa com o ator interpretando Macbeth, de Shakespeare, quando é interrompido por toda sorte de inconvenientes.</p>
<p>&#8220;Outro dia, uma velhinha sentada na primeira fila estava comendo batata frita e fazendo aquele barulhinho. Parei de falar e olhei para ela. Sabe o que a mulher fez? Ofereceu batata pra mim!&#8221; &#8211; diz seu personagem em um dos trechos da peça, que ficou dois anos em cartaz.</p>
<p>Fagundes é de uma época, ele diz, em que só se entrava no cinema de terno e gravata. O cine Olido, no centro de São Paulo, tinha uma orquestra de quarenta músicos, que tocavam enquanto o público aguardava o início da sessão. Enfim, abaixava-se o fosso, abria-se a cortina e o filme começava. &#8220;Eu gosto disso.&#8221;</p>
<p>Chega outra rodada de pastéis, e por engano, ele morde o de pupunha e a repórter, o de carne. &#8220;Não faz mal, vamos trocar. Aceito o seu&#8221;- diz, resolvendo o impasse.</p>
<p>Nos primórdios do teatro, as luzes ficavam acesas o tempo inteiro, assistia-se ao espetáculo de pé. Cadeira era um luxo restrito à nobreza, e tudo era permitido: cachorros e galinhas passeando pela plateia e até pessoas duelando.</p>
<p>Aos poucos, artifícios foram sendo criados: fosso para a orquestra, cortina, luzes apagadas para dar início à sessão. &#8220;Todos esses acréscimos foram muito bem-vindos, porque ajudaram a criar um espaço mágico&#8221;, diz Fagundes.</p>
<p>Mas os rituais foram sendo abolidos. O teatro, uma arte que data de mais de dois mil anos, &#8220;está perdendo a liturgia&#8221;, ele constata com pesar. &#8220;Quando você começa a tirar o cenário, a luz, a cortina, que ajudavam a criar um espaço separado do resto do mundo, começa também a perder a relação de encantamento que uma peça pode criar.&#8221;</p>
<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/arte11cul-704-mesa-d18.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1438" title="sabor_em_cores_variadas" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/arte11cul-704-mesa-d18-191x300.jpg" alt="" width="191" height="300" /></a>Há algum tempo, diferentes companhias de teatro têm usado espaços não convencionais para apresentar seus trabalhos, como ônibus em movimento, hospitais ou presídios. Nesses casos, não há encantamento?</p>
<p>&#8220;Há, sim, como os espetáculos lindos e arrepiantes que vi no Club Noir. Acho ótimo, mas desde que não seja só isso. Hoje, 90% das peças estão em teatros, onde não cabem mais de 50 pessoas. Não pode colocar cenário porque não cabe, não pode colocar luz.&#8221;</p>
<p>Assim que o garçom leva os pratos vazios, Fagundes lembra que o teatro nada mais é do que um jogo que implica parceria. O ator finge ser outro, conta uma história e a plateia se envolve, acompanha.</p>
<p>&#8220;É um clique. Você sabe que sou eu em cena, não estou te enganando, é uma brincadeira. Mas como você faz isso para pessoas que estão desatentas, postando no twiter coisas como &#8216;gente, estou no teatro!&#8217;?&#8221; O que será que não permite mais as pessoas jogarem? Este é nosso desafio nos dias de hoje: trazer esse cara para nossa realidade.&#8221;</p>
<p>O garçom chega com um fogareiro para preparar a sobremesa. &#8220;Olha aí, uma pequena liturgia.&#8221; Após uma pausa para sentir o aroma da mistura das frutas, do sorvete e do conhaque que se desprende da panela e impregna o ar, Fagundes lembra que, antigamente, as pessoas não se furtavam aos prazeres da mesa, e nem por isso viviam mal. Lembra que sua mãe cozinhava arroz e feijão com banha de porco e viveu quase 90 anos.</p>
<p>Fagundes foi &#8220;fumante profissional&#8221;, mas parou, &#8220;na raça&#8221;. &#8220;Hoje, a gente tem consciência de que algumas coisas podem fazer muito mal, de que o fim pode ser doloroso. Agora, fumo charuto.&#8221;</p>
<p>Ele frequenta a tabacaria Raniere, onde convive com muitos empresários, &#8220;leitores do seu jornal&#8221;. Outro dia, quis saber há quanto tempo não iam ao teatro. Pairou aquele silêncio. &#8220;Eles têm cultura, poder aquisitivo, mas não vão ver uma peça há cinco, dez anos.&#8221;</p>
<p>O sorvete regado com frutas quentes caramelizadas está agora bem à sua frente: &#8220;É hoje que vou ficar sem jantar&#8221; diz, esfregando as mãos. Dá a primeira colherada, deixa a sobremesa derreter aos poucos na boca antes de voltar a falar.</p>
<p>Fagundes compara uma temporada teatral a uma revolução. &#8220;Por quê? Falamos para pessoas que estão desacostumadas de ficar paradas, pessoas que estão num lugar já pensando no que vão fazer depois. É uma aceleração de vida que faz a gente ter a sensação de que o tempo está correndo muito rápido. Olha esta nossa refeição. Chegamos junto com pessoas que já comeram e foram embora. É louco o que fizemos, ficar horas conversando.&#8221;</p>
<p>Tomamos a segunda rodada de café e água (cortesia da casa, depois de fechada a conta) num cenário agora silencioso e vazio, ocupado apenas por nós e por um último funcionário encarregado de fechar a porta. Logo mais, Fagundes estará no teatro, aonde costuma chegar com duas horas de antecedência. &#8220;O ator tem que se isolar um pouquinho, deixar o mundo lá fora.&#8221;</p>
<p>O protagonista sai de cena. Logo será apenas Fagundes com ele mesmo.</p>
<h6>Por <strong>Adriana Abujamra | Para o <a href="http://www.valor.com.br/cultura/2654246/toda-vida-em-cena" target="_blank">Valor</a>, de São Paulo<br />
</strong></h6>
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		<title>O psicanalista mora ao lado</title>
		<link>http://tatinirestaurante.com.br/o-psicanalista-mora-ao-lado-6/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 14:09:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Tatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatini na imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Catherine Vieira / Para o Valor, de São Paulo Na tarde quente de fim de verão, Contardo Calligaris está em casa. Sim, em meio ao encontro de cerca de duas horas &#8211; um tempo exíguo com esse psicanalista disposto à conversa -, ele, que nasceu na Itália e viveu em Genebra, Paris, Nova York, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6>Por Catherine Vieira / Para o <a href="http://www.valor.com.br/cultura/2624388/o-psicanalista-mora-ao-lado">Valor</a>, de São Paulo</h6>
<p>Na tarde quente de fim de verão, Contardo Calligaris está em casa.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1526" title="calligaris" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris8.jpg" alt="" width="240" height="157" />Sim, em meio ao encontro de cerca de duas horas &#8211; um tempo exíguo com esse psicanalista disposto à conversa -, ele, que nasceu na Itália e viveu em Genebra, Paris, Nova York, São Paulo e mais alguns tantos lugares, se dá conta de que o local onde fica o Tatini, restaurante que escolheu para abrigar este encontro, é provavelmente o código postal mais longevo que já teve. &#8220;Esse é o endereço que eu tenho por mais tempo, incluindo a casa dos meus pais; é de longe o endereço mais estável na minha vida&#8221;, conta. &#8220;São Paulo acabou tendo uma função especial e este lugar &#8211; aliás, este restaurante &#8211; já existia em 1986. Então é simbólico, digamos assim, sem dúvida.&#8221; No prédio anexo ao restaurante está seu consultório e durante um bom tempo também o lugar onde ele morou na capital paulista. Hoje, divide-se entre Rio e São Paulo, por causa do casamento com a atriz Mônica Torres.</p>
<p>O cardápio e o caloroso sotaque italiano de Mário, o dono do Tatini, poderiam levar a uma leitura apressada de que a escolha do local se deve ao fato de que o psicanalista é um homem que busca manter suas raízes. Não é tão simples. Se aos 4 anos ele pediu para falar inglês, aos 14 fugiu para Londres atrás de uma canadense, mais tarde se casou com uma americana e depois esteve em tantos lugares diferentes, não foi, talvez, por acaso. &#8220;Meu pai era um resistente antifascista, havia uma certa dificuldade, um conflito na minha relação com a Itália, que quando eu nasci já não era fascista, mas era um país que durante muitos anos tinha perseguido o meu pai, tentado matá-lo. Nasci e cresci num conflito grande com minha própria identidade nacional&#8221;, lembra ele, que ficou sem ir ao país natal por anos na década de 90 depois da morte dos pais.</p>
<div id="attachment_1519" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris24.jpg"><img class="size-full wp-image-1519" title="calligaris2" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris24.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a><p class="wp-caption-text">Calligaris em abadia da Toscana: nessa época, ele escreveu romance</p></div>
<p>A relação, porém, melhorou, não sem alguma ajuda da ficção. Seu primeiro romance, &#8220;O Conto do Amor&#8221;, também não por acaso, é quase todo passado em Florença e arredores. &#8220;Sim, sem dúvida esse livro foi um dos efeitos &#8211; eu não sei, aliás, qual é a causa, qual é o efeito -, mas ele certamente é como a minha reconciliação com a Itália&#8221;, reconhece.</p>
<p>A ficção, diz ele, tem também esse propósito. &#8220;Uma ficção se constrói a partir de pequenos elementos da sua vida, sobretudo aqueles que você não conseguiu costurar direito, porque a ficção serve para isso. Você costura as coisas, de uma maneira ou outra, dá um destino.&#8221; E assim nasceu seu livro mais recente, &#8220;A Mulher de Vermelho e Branco&#8221;.</p>
<p>&#8220;Tinha coisas das quais eu estava a fim de falar, algumas experiências suspensas, enigmáticas. Tive mesmo uma paciente que se vestia de vermelho e branco e eu ficava me perguntando se era louca ou não durante certo tempo &#8211; mas a história não tem nada a ver [com a do livro]. Eu tive um paciente que foi assassinado e nessa ocasião eu colaborei com a polícia. E também tive, de fato, uma relação com uma refugiada vietnamita nos anos 70, em Paris, então certamente aquela lembrança me inspirou&#8221;, conta o criador de Carlo Antonini, personagem central e &#8211; mais uma vez: nenhum acaso aqui &#8211; psicanalista dos dois primeiros romances publicados e de um terceiro que está sendo gestado.</p>
<div id="attachment_1507" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris31.jpg"><img class="size-full wp-image-1507" title="calligaris3" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris31.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a><p class="wp-caption-text">O psicanalista e Paulo Autran no programa &quot;Diálogos Impertinentes&quot; da TV PUC</p></div>
<p>&#8220;Será sobre a infância dele, que servirá para falar da minha, que aconteceu em Milão&#8221;, diz. Nostalgia? Nesse caso, é uma consequência do processo, mas sem traumas. &#8220;Fiz um trabalho de revisitar as locações bastante detalhado, e esses lugares que eu revisito têm uma dimensão de nostalgia, sim, mas que nesse sentido é prazerosa, a nostalgia é um afeto muito legal.&#8221; Foi nessa infância italiana que seu gosto pela arte e pelas coisas &#8220;interessantes&#8221; da vida começou a ser forjado. Com uma casa de veraneio em Veneza e sendo o pai ligado à superintendência das Belas-Artes da Lombardia, Calligaris passou a infância imerso nesse mundo. &#8220;A relação com a arte?&#8221;, retruca ele à pergunta da repórter. &#8220;Perguntar isso a um italiano de classe média alta é meio bizarro&#8221;, brinca. Reconhecer um móvel ou um quadro europeu, diz ele, pela escola ou o século, é algo que ele não sabe como aprendeu. &#8220;Reconheço um quadro, se é de escola sienesa, florentina ou veneziana de maneira automática; se você me perguntar quem me ensinou, eu não saberia dizer.&#8221; Faz parte da bagagem.</p>
<p>Em meio a tantas viagens e domicílios distintos, ele acabou se desfazendo das obras mais antigas e hoje se dedica mais aos artistas brasileiros. &#8220;As coisas que eu tinha mais antigas, até o século XIX, eu acabei vendendo. O que tenho hoje são obras contemporâneas, quase todas brasileiras&#8221;, diz ele, que é um frequentador de galerias.</p>
<p>A contemporaneidade, aliás, é algo, logo se percebe, caro ao psicanalista. Embora não veja problemas em esbarrar num certo tipo de nostalgia, há outros que podem ser menos inofensivos. Se o assunto são as angústias e dilemas da sociedade atual, ele costuma se apressar a dizer que &#8220;evita culpar os tempos&#8221;. &#8220;Quando a gente diz sinal dos tempos, está sempre sendo hipocritamente trágico, como se falasse &#8216;ah, meu deus, para onde fomos?&#8217;. Acho que fomos para um lugar imensamente melhor que os lugares nos quais já estivemos &#8211; e estou falando como espécie -; então, não tenho nostalgia de um passado que não vivi nem do passado que eu vivi. É muito melhor ter celular, internet.&#8221;</p>
<div id="attachment_1508" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris4.jpg"><img class="size-full wp-image-1508" title="calligaris4" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris4.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a><p class="wp-caption-text">Com Tom Zé, em 2006, no debate São Paulo É Melhor do Que Parece?</p></div>
<p>Isso não quer dizer que não tenhamos questões próprias de nossa época. A medicalização da tristeza e das angústias, tema já abordado pelo colunista, não estariam entre elas? Porque os antidepressivos e ansiolíticos se tornaram tão populares? &#8220;O aspecto pior da medicação talvez não sejam os remédios em si, mas seja o fato de que acabamos tendo uma leitura médica da experiência, tomando ou não remédio. Que se medique a depressão não teria problema nenhum, agora que a tristeza, o luto, a dor não sejam mais experiências e consideradas como patologias, isso eu acho uma loucura&#8221;, afirma.</p>
<p>Mas no pano de fundo da questão está algo que aparece no cerne desse mal-estar moderno e é o que Calligaris chama de uma &#8220;herança de 200 anos de higienismo&#8221;, algo que pode ser mais poderoso até mesmo que crenças religiosas. &#8220;A medicina se tornou a disciplina que nos diz como viver muito mais que a religião ou qualquer outra coisa. Tem muito mais pessoas que correm no Ibirapuera ou numa esteira a cada dia do que pessoas que vão para a missa, pelo menos na classe A e B. É a ideia de que você tem que perseguir a sua saúde e as maneiras de fazer isso. O Ocidente inteiro está composto de pessoas que se preocupam com o que comem, ou quantas vezes por dia defecam, ou se preocupam com o &#8216;check-up&#8217; anual. A medicina preventiva também é uma forma de controle das vidas.&#8221;</p>
<div id="attachment_1509" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris5.jpg"><img class="size-full wp-image-1509" title="calligaris5" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris5.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a><p class="wp-caption-text">Com Roland Barthes, na década de 70, em um dos Colóquios de Cerisy, na França</p></div>
<p>É, enfim, uma obsessão em evitar a morte &#8211; essa também, aliás, outra ideia higienista. &#8220;Essa é uma ideia absolutamente moderna, do século XIX. Qualquer homem do século XVIII pensa que os valores são aquelas coisas pelas quais vale a pena morrer. Então, tem uma mudança: de repente qualquer coisa vale a pena com a condição que nos permita sobreviver.&#8221;</p>
<p>Embora visivelmente não seja adepto da introdução de remédios nos tratamentos &#8211; ele não perde a oportunidade de citar, por exemplo, que os antidepressivos têm uma eficácia apenas em 38% dos casos, enquanto simples placebos funcionam em 18% das vezes -, Calligaris descreve como quase infantil hoje a espécie de militância que tinha, como jovem psicanalista, contra o uso de psicotrópicos. Reconhece que muitos de seus pacientes se medicam &#8211; porque querem se medicar &#8211; e nesses casos prefere ser colaborativo e até indicar um psiquiatra que possa prescrever o que for melhor para o caso. A questão, insiste, é que o uso de remédios se torna uma espécie de emaranhado, no qual se começa tomando uma fluoxetina, mas aí se fica sem sono à noite, então se toma um ansiolítico, que pode engordar, então se acrescenta algo para o apetite e daí por diante até se chegar a um verdadeiro coquetel de medicamentos.</p>
<blockquote><p><strong><em>Não tenho a pretensão, ainda menos como terapeuta, de curar o que tem de existencial na neurose ou no sofrimento</em></strong></p></blockquote>
<p>Mas, ironia estranha, por que será que justamente neste mundo em que a longevidade se torna um valor tão primordial, não é raro que as pessoas se refiram aos antidepressivos e aos ansiolíticos como remédios que funcionam para aguentar a vida, ou a pressão, o estresse que a vida moderna estaria embutindo no cotidiano? A vida moderna, diz ele, não é a vilã, e os medicamentos não serão a solução. &#8220;Se quer resolver mesmo o problema da vida se drogando, então que se use uma droga que funcione, heroína, crack, é melhor levar a sério se o objetivo é &#8216;aguentar&#8217; a vida com drogas. Há coisas mais eficientes que fluoxetina.&#8221; Ironia à parte, o antídoto mesmo para a questão é outro: coragem. &#8220;Eu acho que a gente deveria é ser mais corajoso. Em relação às experiências em geral, se lançar mais. É aquela coisa que a gente tenta ensinar às crianças: que elas deveriam experimentar o que elas nunca comeram.&#8221;</p>
<p>O que ele observa, porém, sobretudo na experiência do consultório com jovens, é que temos visto muito o contrário disso. Uma sensação de que se sonha pequeno e de que o espírito de aventura diminuiu. &#8220;Me acontece com frequência encontrar um adolescente de 15, 16 anos que, quando você questiona o que ele quer do futuro, a resposta é &#8216;tipo eu tava pensando em, sei lá, fazer um concurso público da Receita Federal, o salário é bom, tem aposentadoria garantida, estabilidade&#8217;. São preocupações que seriam bizarras para um adolescente da minha geração. Talvez a gente tivesse também sonhos totalmente fajutos que não iam funcionar, mas a vida também é feita de sonhos desse tipo: ser oficial na legião estrangeira, trabalhar com leprosos, ou nem necessariamente o altruísmo, pode ser qualquer coisa.&#8221; E a vontade de arriscar pouco hoje não se limita à profissão, abrange também os relacionamentos desses jovens. &#8220;Eu fugi de casa porque me apaixonei. Os meus pacientes adolescentes eu vejo que têm um problema em ter uma namorada em Jundiaí [interior de São Paulo] porque é complicado.&#8221;</p>
<div class="mceTemp">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_1547" class="wp-caption alignright" style="width: 250px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris61.jpg"><img class="size-full wp-image-1547" title="calligaris6" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris61.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Calligaris no Tatini: &#8220;Quando a gente diz sinal dos tempos, está sempre sendo hipocritamente trágico&#8221;</dd>
</dl>
<p>Calligaris não se arrisca a uma discussão sobre as causas do que tem levado tanta gente a um apetite menor pelas experiências e a tanto medo, ansiedade e angústia. Mas admite que a liberdade que experimentamos pode ter parte nisso. &#8220;O projeto da modernidade que nasceu no começo do século XIX, depois de longa gestação, deu à luz um projeto individualista, sendo muito claro, em negrito, que individualista não significa egoísta nem nada moralmente pejorativo, mas sim que somos uma das pouquíssimas culturas dos últimos 200 anos para as quais o indivíduo é um valor superior à comunidade, no sentido de que é você quem vai decidir o que é certo ou errado no seu íntimo e isso vem antes das tradições. É o fato, por exemplo, de casar com alguém que escolhemos, em vez de deixar que as famílias combinem segundo interesses. Essa revolução implica um envolvimento subjetivo sofrido o tempo inteiro.&#8221;</p>
</div>
</div>
<p>Há quem atribua a toda essa liberdade o tédio e a depressão que assombram os nossos tempos. &#8220;É possível, mas quem disse que a experiência da liberdade deveria ser hipomaníaca ou jocosa? Não. É também uma experiência de perda, de separação, de uma certa solidão quase existencial, isso faz parte da condição humana. Não tenho a pretensão, ainda menos como terapeuta, de curar o que tem de existencial na neurose ou no sofrimento.&#8221;</p>
<blockquote><p><strong><em>Eu pratico com esforço, no melhor sentido dessa palavra, a tentativa de não perder a dimensão de prazer, inclusive sensorial, na vida de cada dia</em></strong></p></blockquote>
<p>Já a busca obsessiva por um estado de permanente felicidade, outra suspeita de sempre, não ganha muito crédito nessa história. O psicanalista, aliás, tem outra desconfiança, a de que essa obsessão não exista de fato e seja mais um conceito vendido aos indivíduos por indústrias como a cultural e a farmacêutica do que algo que eles genuinamente almejam. &#8220;É raro receber alguém no consultório que diga que veio me ver porque quer ser feliz. Se alguém responde isso numa pesquisa, acho que grande parte da resposta é produzida pela expectativa. O cara vai dizer exatamente o que ele imagina que se quer ouvir. Não estou promovendo isso como valor, mas acho mesmo que as pessoas querem ter uma vida interessante, não querem ser felizes.&#8221;</p>
<p>Se a busca da felicidade for uma espécie de mito, outro seria a angústia de descobrir quais são os nossos reais desejos, esta, sim, bastante comum como motivação da ida ao divã, ele reconhece. A resposta, no entanto, pode decepcionar. &#8220;Eu acho que não existe o que a gente realmente deseja, acho até que a psicanálise involuntariamente vendeu essa ideia, mas não está escrito em algum lugar occipital do seu cérebro, em três neurônios, qual é o seu real desejo, aquele que você precisaria encontrar para depois realizar. Tudo bem, a gente recebe esse pedido, mas é totalmente fajuto. O que existe é o exercício do desejo que se dá em situações complexas na interação com o mundo. Então, dizer &#8216;ah, eu me tornei jornalista, na verdade, porque tinha um amigo do meu pai e poderia ter feito outra coisa, mas tive essa oportunidade&#8217;. É assim mesmo, o desejo é assim que nasce; não é: &#8216;ai, meu deus, qual é o meu desejo?&#8217;</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_1511" class="wp-caption alignright" style="width: 250px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris7.jpg"><img class="size-full wp-image-1511" title="calligaris7" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris7.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><em>Observação do psicanalista: “As pessoas querem ter uma vida interessante, não querem ser felizes”</em></dd>
</dl>
<p>Nas entrelinhas da conversa, a sensação que sobressai é a de que ele não gosta de mitificações ou de cobrir de glamour grandes questões e filosofias. Bandeiras e moralismos não têm vez no seu discurso, que busca simplificar mais e julgar menos. Ele não é de propor muitas discussões, mas não escapa das perguntas, nas quais às vezes viaja de um tema a outro e às vezes diz: &#8220;Bem, me perdi um pouco, mas voltando&#8221;.</p>
</div>
<p>Entre uma fatia e outra de vitelo, ele relaciona, a meu pedido, seus prazeres, e começa pelo próprio prato. A lista segue com lençóis de fio egípcio, as amizades, o sexo. &#8220;Eu pratico com bastante esforço, no melhor sentido dessa palavra, a tentativa de não perder a dimensão de prazer, inclusive sensorial, na vida de cada dia. Me considero, e não acho que seja palavrão, hedonista numa época muito pouco assim. Acho que estamos num dos momentos menos hedonistas da história do Ocidente&#8221;, lamenta. &#8220;Não vou dizer que, ah é legal, vamos todos voltar a fumar. Mas dizer tipo: hoje não vou transar porque às 5h30 vou correr, porque mais tarde eu vou trabalhar e&#8230; Isso é bizarro.&#8221;</p>
<p>O sexo, esse prazer tão disponível, continua sendo um tabu. Talvez não tenha sido à toa que uma das colunas de maior repercussão do psicanalista saiu em 2006, quando explodiu na internet o vídeo em que a modelo e apresentadora Daniela Cicarelli transava na praia. O texto dele mostrava surpresa pela polêmica com o que considerava cenas de amor, absolutamente normais. Afinal quantas pessoas já não fizeram sexo na praia? O retorno sobre essa visão bem dissonante do tom escandalizado com que o vídeo foi tratado foi muito positivo e &#8211; como sempre, ele revela &#8211; bem maior entre as leitoras. São episódios como esse que revelam o quão diferente é a realidade da sexualidade no Brasil da imagem que se tem dela.</p>
<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris81.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1527" title="calligaris8" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/05/calligaris81.jpg" alt="" width="240" height="157" /></a>Ele, que clinica em diferentes idiomas e países, vislumbra diferenças nas angústias e visões de europeus e americanos (do Sul e do Norte) que se manifestam também na maneira de lidar com a sexualidade. &#8220;Na Europa, é muito melhor nesse ponto de vista. No Brasil, tenho a impressão de que o mito da sexualidade tem muito mais a ver com uma certa sensualidade de movimento, da posição do corpo, talvez a cultura de praia, mas isso não faz com que seja uma cultura erótica. É uma cultura sensual, eventualmente, mas o erotismo começa com fantasias e, se possível, com fantasias complexas. Então tem muito mais erotismo no Bois de Boulogne à meia-noite do que em toda Sapucaí durante os dois dias de Carnaval&#8221;, diz ele, ressaltando para si mesmo que essa é uma boa frase para &#8220;colocar no Twitter&#8221;. O microblog, conta, aumentou muito a audiência &#8211; ou pelo menos a percepção dela &#8211; das colunas semanais. Coisas dos tempos de hoje, que não existiam na juventude do psicanalista, época em que teve aulas com Jean Piaget e conviveu com Jacques Lacan e Roland Barthes (a quem ele adorava). Diante de todo esse histórico de vivências e convivências, é invejável o esforço de, aos 63 anos, não cair na tentação de pensar que bons tempos eram aqueles.</p>
<h6>Por Catherine Vieira / Para o <a href="http://www.valor.com.br/cultura/2624388/o-psicanalista-mora-ao-lado">Valor</a>, de São Paulo</h6>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Guia da Folha de São Paulo, 06 a 12/04/2012</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 17:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redator</dc:creator>
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		<description><![CDATA[TATINI Cozinha italiana com quatro décadas de tradição familiar. O carro-chefe são as massas de produção própria, como a palha e feno com ostras refogadas, champinhom fresco, toque de bacon e polpa de tomate. Outra opção é o filét-mignon de cordeiro grelhado em ervas com aletria. http://tatinirestaurante.com.br/ R. Batataes, 558, Jardim Paulista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/tatini1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1416" title="tatini" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/04/tatini1.jpg" alt="" width="175" height="282" /></a></p>
<p>TATINI</p>
<p>Cozinha italiana com quatro décadas de tradição familiar. O carro-chefe são as massas de produção própria, como a palha e feno com ostras refogadas, champinhom fresco, toque de bacon e polpa de tomate. Outra opção é o filét-mignon de cordeiro grelhado em ervas com aletria.</p>
<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/category/tatini-na-imprensa/">http://tatinirestaurante.com.br/</a></p>
<p>R. Batataes, 558, Jardim Paulista.</p>
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		<title>Folha de São Paulo &#8211; Edição Especial, O Melhor de São Paulo 2012</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 17:39:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redator</dc:creator>
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		<description><![CDATA[TATINI Paredes revestidas de madeira e grandes quadros pendurados marcam o restaurante italiano que funciona desde 1954 e é tocado por Mario Tatini. O carro-chefe da casa são as massas de produção própria, como o ravióli de carne à moda, cujo &#8220;réchaud&#8221; vem à mesa e mistura sugo, bolonhesa e creme de leite. R. Batataes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/folha1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1405" title="Folha de São Paulo, 2012" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/03/folha1-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p><strong>TATINI</strong></p>
<p>Paredes revestidas de madeira e grandes quadros pendurados marcam o restaurante italiano que funciona desde 1954 e é tocado por Mario Tatini. O carro-chefe da casa são as massas de produção própria, como o ravióli de carne à moda, cujo &#8220;réchaud&#8221; vem à mesa e mistura sugo, bolonhesa e creme de leite.</p>
<p>R. Batataes, 558, Jd. Paulista, região oeste, tel. 3885-7601.</p>
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		<title>Revista Paladar &#8211; O Estado de São Paulo, 2009</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 18:02:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redator</dc:creator>
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		<category><![CDATA[tradi­ção gastronômica]]></category>

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		<description><![CDATA[TATINI Perfil: Endereço tradicional em que são servidas as receitas da culinária italiana da família toscana Tatini, que chegou ao Brasil em 1954. Mantém clientela fiel há anos. O que comer: Estrogonofe de filé mignon e cogumelos. Steak diana, filé mignon no molho rôti, flambado em conhaque, com arroz no molho de carne. O que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/paladar_estado_s_p2009.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1353" title="Paladar - O Estado de São Paulo" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/paladar_estado_s_p2009.jpg" alt="" width="210" height="277" /></a></p>
<p><strong>TATINI</strong></p>
<ul>
<li><strong>Perfil:</strong> Endereço tradicional em que são servidas as receitas da culinária italiana da família toscana Tatini, que chegou ao Brasil em 1954. Mantém clientela fiel há anos.</li>
<li><strong>O que comer:</strong> Estrogonofe de filé mignon e cogumelos. Steak diana, filé mignon no molho rôti, flambado em conhaque, com arroz no molho de carne.</li>
<li><strong>O que beber:</strong> Com o estrogonofe, um Bordeaux branco e com o steka diana, a sugestão é um Bordeaux tinto.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>R. Batataes, 558 &#8211; Jd. Paulista</p>
<p>www.tatini.com.br</p>
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		<title>Flavour Guide 2012: Lugares Especiais, Sabores Únicos de Josimar Melo</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 17:35:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wptatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatini na imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a participação de importantes colaboradores, o Flavour Guide 2012 traz o conhecimento e as experiências de Josimar Melo falando sobre o passado, presente e futuro da gastronomia no Brasil e no Mundo, além de belas imagens captadas por Claudio Edinger e uma inspiradora seleção de vinhos de André Rossi. Tatini R. Batataes, 558 – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/flavour_guide_2012.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1299" title="flavour_guide_2012" src="http://tatinirestaurante.com.br/wp-content/uploads/2012/02/flavour_guide_2012-300x214.png" alt="" width="300" height="214" /></a>Com a participação de importantes colaboradores, o Flavour Guide 2012 traz o conhecimento e as experiências de Josimar Melo falando sobre o passado, presente e futuro da gastronomia no Brasil e no Mundo, além de belas imagens captadas por Claudio Edinger e uma inspiradora seleção de vinhos de André Rossi.</p>
<p><strong>Tatini</strong></p>
<p><strong>R. Batataes, 558 – Jardim Paulista</strong></p>
<p><strong>Tel: 11 3885 7601 – www.tatini.com.br</strong></p>
<p><strong>Fundado há mais de 25 anos e servindo cozinha italiana, continua a história do Don Frabrizio, aberto no meio do século 20.</strong></p>
<p><strong>Tatini Rosticceria</strong></p>
<p><strong>R. João de Souza Dias, 307  Campo Belo &#8211; São Paulo</strong></p>
<p><strong>☎ 5535-0237</strong></p>
<p><strong>Andrea e Paola abriram a Tatini Rosticceria com o objetivo de levar toda a tradição e carinho da culinária dos Tatini para dentro da sua casa.</strong></p>
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		<title>URUGUAY &#8211; Lomas de la Paloma &#8211; Tinto</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 21:24:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wptatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[URUGUAY]]></category>

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		<title>PORTUGAL &#8211; Douro &#8211; Tintos</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 21:21:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wptatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[PORTUGAL]]></category>

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		<title>PORTUGAL &#8211; Dão &#8211; Tintos</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 21:20:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>wptatini</dc:creator>
				<category><![CDATA[PORTUGAL]]></category>

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